É um filme preciso, cirúrgico, metódico e sistemático, assim como David Cronenberg. E devastador!, com sua brilhante ideia de mostrar o encontro de Jung e Freud, às vésperas da primeira Guerra Mundial e pós-guerra (e, também, a “guerra” travada entre esses dois gênios). O encontro com Sigmund Freud (Viggo Mortensen) faz Jung ficar entalado entre a interpretação de certas neuroses pelo viés sexual (teoria da qual não discorda, mas acha limitante) e o amor, cada vez mais latente, por sua paciente. Jung experimenta métodos, ensinando a profissão a Sabina e quebrando as próprias regras. E aí vem, como quase tudo na vida, a culpa social, um dos motivos que faz com que qualquer pessoa embarque na loucura.
O cinema de Cronenberg é tão poderoso a ponto de nos presentear com diálogos inteligentes e imagens fantásticas: pontos altos do filme. “Anjos sempre falam em alemão”, diz-se (uma das muitas frases sarcásticas). Assim como “O Prazer nunca é simples”, complementa. A perspicácia das conversas torna o filme sóbrio, adulto e espetacular, mitigando tabus.
É um filme que merece ser visto e revisto. E é aí que eu entro e saio, pondo pulgas atrás da sua orelha, meu caro leitor, feito uma dica para um domingo tão monótono (isso para alguns,quando não tem praia ou um jogo do Mengão, rs) ... Desperte sua simples vontade de falar o óbvio e sentir o comum, pois isto está em falta atualmente.




















