segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Professor



Hoje é um dia que passa por nós como os demais, apenas percebido pelo fato de ser um dos vários feriados em nosso país, mas, de fato, é um dos poucos dias que merecem esse famigerado título de feriado, ou de pelo menos lembrado. Dia dos professores!

Não sou professor (já tentei), mas confesso que vontade não falta, pelo caminho traçado, pelo conhecimento adquirido e claro, pelo oportunidade de repassar algo a alguém. É uma ótima sensação, ou deve ser. Nosso país não carece de políticas públicas para a educação, seja na manutenção, seja no fomento do ensino. Elas existem! No entanto, não são plenamente adequadas ou implementadas. Concorrem com outros “interesses” que não geram resultados eficazes ou atingem um porção pequena da população.

Penso que diante de greves, más condições de trabalho e ensino, escolas sucateadas, insegurança e baixíssimos salários, nossos representantes poderiam fazer algo a mais, valorizando a função do professor e não apenas o cargo. O ensino, assim como o conhecimento está em diversos lugares e a capacidade de lecionar esta em todos os recôncavos de nossas escolas (públicas, principalmente), mas não são alvo da nossa deficiente política.

Ao contrário da maioria, não acho que o governo não valoriza nossos professores, creio que nosso país não valoriza o que eles fazem. 

(Este na foto era foi meu professor de matemática, na 8ª série, Pedro Airton. Um dos melhores que tive. Só ele mesmo para fazer simulados na quadra da escola, gincanas de questões de Baskara (era o terror), vivia com suas mãos sujas de giz, sempre com um bom humor e rara excentricidade. )

segunda-feira, 8 de outubro de 2012



Meus amigos, o ministro Joaquim Barbosa, do STF, poderá ser chamado à presidência da Corte Suprema nessa quarta-feira, 10. Com a iminente aposentadoria do atual presidente, ministro Carlos Ayres Britto, a nomeação poderá ser em novembro. Será uma chance de ver melhor a figura do “exaltado e adorado” ministro Joaquim à frente do Tribunal. Em entrevista à Folha de SP, ele afirma não ser um herói no presente julgamento do mensalão (ele se considera mais um anti-herói, rs), mas confirma sua incisividade nas acusações, pois traz de sua experiência como ex-procurador da república essa veia pela proteção da administração pública.

Votou em Lula nas duas oportunidades para presidente, não nega. Ele sabe da melhoria que o país obteve (não sou partidário do PT, ok?) por isso não escondeu seu voto, além de é claro ter sido nomeado pelo ex-presidente para a cadeira no STF. Mas, apesar disso, opõe-se piamente a bonificações e favoritismos políticos e sabe que tem que ser imparcial e julgar. É o que está fazendo desde então.

Considero o ministro Joaquim Barbosa um juiz da corte, e ponto. Também não o considero herói, creio que essas definições advêm do fato de não termos o costume de fazer o correto ou bons exemplos na nossa alta cúpula do país. Considero-o um brasileiro que sofreu (e sofre até hoje) com nosso famigerado racismo, fruto de anos de escravidão e retaliação social devida à cor da pele. Considero-o simples, tímido, humilde, mas com uma personalidade ímpar e forte. Admiro quem se dedica a uma causa e crer que, de fato, aquilo fará diferença e que consegue desenvolver-se na vida. Foi o caso dele, da pobreza e dos banhos no rio de sua cidade no interior mineiro até o ponto maior na nossa justiça.

Assim, exalto-o, não pela sua posição no Judiciário ou por sua figura estar na mídia (acho que isso até o assusta), mas pela sua capacidade de ser quem é, que faz o que tem que ser feito. Julgar e defender nossa constituição.

domingo, 16 de setembro de 2012

Amanhecer



Naquele amanhecer, senti uma brisa cálida no rosto, acordei na varanda do apartamento e, ainda sobre as cobertas frias e amassadas, olhei o horizonte e o sol a nascer. Com o olhar mais agudo olhei para baixo, na entrada da rua, em uma casa qualquer, vi você.

Estava varrendo inadvertidamente a sarjeta onde as folhas amarelas da amendoeira teimavam em cair naquela estação. Você sob aquela sensação primária olhou para cima. Viu-me, petrificou-se. Possuía um olhar indescritível de dó e carinho, mas não havia alegria em seus olhos castanhos e em seu rosto quase sempre sério. Apoiei-me no batente da sacada por um instante, o vento ainda soprava naquela rua estranha, não havia carros, pessoas ou cães perdidos; apenas eu, você e um espaço metafísico entre nós.

Preferi recolher o coração, agarrar-me no orgulho e, dando três passos para trás, fugi do seu olhar esperando que o dia começasse bem.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Nosso final é simples, tchau.



Não há mais nada aqui de você. Tudo foi embora. Deus abençoou meu sonho, minha intenções. Foi assim que acordei e deixei minha cama em seu eterno sono abaixo da janela que há tempos prometo consertar. Com um ar de alegria, pensara que a noite tivera sido perfeita, pois você não estava comigo, não, apenas meu lençol e meu celular na cabeceira que trouxe de outra época. Lembrar que você perseguia-me sem saber, sufocava-me sem intenção, ria de mim mesmo longe da porta da minha casa. Mas estava feliz.

O sol que outrora se escondia detrás das nuvens negras, suas vassalas, agora ilumina meu dia e não permite que o frio de seus lábios molhem minhas lembranças com a nostalgia que acompanhara minhas noites de contos inventados. Já fui russo por muito tempo, então fuja de mim românticos suicidas e vodkas despretensiosas! Não mais!

Sabemos que tudo, nesse caminho sem volta, acompanha-nos como a inércia e repugnância de uma simbiose de sentimentos que não fazem mais sentidos e que, por isso, devem ser largados em nosso “Ser”. Deixe-me apenas com o que tenho de bom em mim, isso eu faço questão de preservar. Assim, sei que nada nos deixa, mas que pode mudar e que será sempre parte de mim, mas nunca eu por completo. Assim tudo passa.

Agora preciso ir, e pegar o caminho que você não viu. Assim, suas memórias me deixarão passar.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A queda do solar de usher



"Durante um pesado, sombrio e silente dia de outono, em que as nuvens pairavam opressivamente baixas no céu, estive passeando sozinho a cavalo em uma região do interior singularmente tristonha, e afinal me encontrei, ao caírem as sombras da tarde, no melancólico solar de usher. Não sei explicar, ao primeiro olhar invadiu-me a alma uma angustia insuportável, poética, cruel, desolação do terror. Contemplei o panorama a minha frente – era uma casa simples, com paisagem simples. Paredes soturnas, janelas vazias, uns poucos canteiros de caniços e uns troncos brancos de arvores mortas Como um sonho de ópio. Havia um engessamento, uma tontura, uma enfermidade inimaginável. Quem dele desperta, a amarga recaída da vida cotidiana, vive o tombar do véu.  Não era frio. Era indiferença. Uma revolta do coração." 

Edgar Allan Poe

sábado, 4 de agosto de 2012

Ler o mundo



Ou não, porque nem sempre deciframos os sinais à nossa frente. Mas, deve-se continuar. Paixão de ler. Ler a paixão.

Como ler a paixão se é a paixão quem nos lê? Esse é o sentimento quando os inconscientes pergaminhos sofrem um desletrado terremoto. Na paixão somos lidos à revelia. O corpo é um texto.  Alguns, confesso, são hieróglifos dificílimos, mas não será incompetência nossa, iletrados diante deles?

Cada um à sua maneira. O médico até parece o amante. Ele também lê o corpo e lembra a semiologia (ciência das leituras dos sinais, dos sintomas). Freud quis ler o interior, um invisível texto estampado do inconsciente. Marx pretendeu ler a história e descobrir os mecanismos nela inscritos de desigualdade social. Os executivos e empresários falam em “qualidade total”, mas não seria “leitura total”?. Provoco aqui não o termo “leitura da economia”, mas “economia da leitura”. Triste fim de nossas vidas perdidas em anúncios constrangedores e palpites desnecessários.

Um paisagista lê a vida de maneira florida e sombreada. As palavras formam um jardim com um “sotaque” natural. O arquiteto igualmente escreve um texto na prancheta da realidade, suas avenidas podem ser absolutistas, militaristas, mas os rascunhos das ruas podem ser democráticos, expressão das comunidades. O astrônomo lê o céu e a epopeia das estrelas. O físico lê o caos. O administrador lê a vida e tenta organizá-la. Um arqueólogo lê nas ruínas uma história antiga de amor e guerras. Tudo é texto.

Paulinho da viola dizia: “As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender”. Não é só Tostoi que retrata vidas. Uma dança é narração. Uma exposição de artes plásticas é narração. Até o quadro branco sobre o branco de Malevich conta uma história.

sábado, 28 de julho de 2012

...Glup.



Noite estreladas, sons nos becos, cerveja gelada, papos desconcertantes, sincronicidade e um amor a recordar. O que vivemos em nossas “saídas”, happy hour, festas, são pródigos dos “embalos de sábado à noite”, a diferença é que toca pagode ou um reggae de fundo, mas isso, meus caros, é que faz o habitat do brasileiro ser tão especial.

Não há espaços para radicalismos e preconceitos, não há soberba que resista a uma noite debaixo das calhas de casarões históricos e alguns copos de vinho. Não! Não sou o festeiro da vez, mas não sou hipócrita. Não nego aventuras (o livre-arbítrio não deixa), pois elas serão os motivos de meus futuros sorrisos de meia boca.

Sufoca-se no próprio ego e afoga-se em seu pseudomoralismo quem pensa que todos são iguais ou que tudo termina sempre do mesmo jeito. Bem, a garrafa vazia vai para debaixo da mesa, assim como a timidez; mas a alegria mergulha na gota que escorre do copo. Vamos ser quem podemos ser, vamos filosofar, mesmo que nossa ágora seja entre as cadeiras de plástico da esquina.
(foto tirada por mim no Reviver - Centro Hst de São Luís)

sábado, 21 de julho de 2012

Lembranças de histórias não contadas



Nunca fui bom em poesias, histórias ou lições de moral. Gostava das simplicidades, dos ditados populares, do “direto ao assunto”. Enrolava-me até para contar um filme. Mas o conto sempre estava em minha mente e eu sempre evitava ver seu rosto pálido, singelo e enganador. Ninguém quer ouvir histórias tristes, desde que sejam reais. O fato e o mero sonho faz parte do que sou e do que penso. Somos todos assim.

Assim como sem a música, a vida sem um bom texto, sem uma boa história a recordar seria um erro. Vivemos para aprender com aquilo que experimentamos. No entanto, temos que, às vezes, dar um basta a algumas coisas, às lembranças mal resolvidas, aos ciúmes despretensiosos, à fome de barriga cheia, à solidão premeditada. A história é o tesouro da alma, mas o zelo e o toque são dádivas que nos permitimos ter.

Um olhar carinhoso hoje é melhor que devaneios de um amor que se foi.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Inconformismo






Penso em inconformismos todas as noites. É de nascença. Crescemos com genes, mas temos muito a aprender – e podemos fazer isso. A ideia de me fechar em verdades absolutas me constrange, isso me lembra a Idade Média, que, aliás, desenvolveu-se em nossos tristes livros de história como a “Idade das Trevas” (creio que foi isso, eu não estudo mais para vestibular, rs), não porque foi “pobre” em criações culturais, mas, justamente, porque o conformismo reinava. Criamos e Outorgamos, cabe aos demais obedecerem. Conformarem-se.

Por exemplo. não opino contra o modo como alguns ‘ditos’ pastores de ‘ditas’ igrejas “tributam” os suados dízimos de nosso proletariado brasileiro (o que já é um absurdo por si); mas protesto é com o modo, histórico e ideologicamente, que nos fechamos em um mundo de fantasias e de puro conformismo.

O Ser humano desenvolveu o fogo tentando fazer o fogo...e fez. Não há regras de como se devem comportar as ideologias secretas de cada um, pois isso é pessoal e qualquer tentativa de um possível controle sobre o que penso será frustrada. Penso assim, acho que por isso sou constantemente inconstante. Inconformado.

Logicamente devemos saber quem somos e o que podemos fazer, mas justificar a vida alheia é irritante, desnecessário e desgastante, fruto de uma mente banal, fútil. Acho isso de quem tenta fazer manipulações com os outros ou apenas conformá-los.

Viva, seja feliz e gire com o mundo... mas não deixe que ele faça você girar em torno de si próprio.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Não há definições





Não creio que grandes vitórias ou terríveis derrotas possam definir alguém. Nesses momentos somos extremos de nós mesmos, estamos no êxtase do que podemos ser. Na maioria das vezes estamos no comum, no cotidiano, na rotina que é tanto temida, na linha tênue do sorriso de meia-boca e das lágrimas nos lençóis. Esses momentos é que nos definem.

Temos que nos comparar sempre com aquilo que podemos ser de melhor! Não por clichê de frases de Google ou de autores de autoajuda que faturam milhões à custa das decepções alheias, não, mas porque sabemos que a nossa maior conquista está no dia-a-dia, quando precisamos de ajuda e só podemos recorrer a nós mesmos. Não há amigos que resolvam nossos problemas mais rotineiros, pois, se mal resolvidos, eles retornarão como as batidas do sino da igreja fazendo com que você acorde logo cedo.

Você não superará todos os seus problemas, caia na real. No entanto, pode viver com o que tem de melhor em si, e que, por mais que a noite não acabe ou o sol seja mais forte que seus olhos, você sabe que terá que continuar.

O mundo tem que continuar. As pessoas irão te trair. As pessoas irão te amar.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Nuances Juninas


Ruas enfeitadas, fogos de artifício, sons à meia noite. Em certas datas, experimentamos várias nuances, facetas do comum e do irreverente também. Depende de cada um. Felicidade e Paz em certos dias, mas há também angústia, solidão e tristeza nas valas na beira da estrada, nos viadutos esquecidos, marcados com o grafite de outrora, pessoas que sobraram, assim como os copos descartáveis ao sabor do vento da madrugada.

Há mistura de sentimentos e de fatos, a alegria e a inquietação, a festa e o filme debaixo do cobertor, a canjica e o cigarro, a índia e a recordação. Não se pode ter apenas uma visão e uma equivocada generalização; curtem-se os dois momentos. Pular a fogueira e escrever à luz da TV. Na barraca do beijo a sedução consumada. No devaneio da noite a perfeição contemplada. Vivemos as duas faces. Momentos que de tão comuns, são diferentes.

Se dormir, sonhe com a celebração. Se for comemorar, não esqueça que a noite sempre termina.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Alguém Especial


As pessoas pouco sabem do sentido ou dos reais significados de suas histórias. Uns buscam saber, outros apenas vivem. Admiro quem dá um porquê às coisas, mas me encanta quem apenas vive, pura e simplesmente. A pessoa assim é interessante. Talvez peque em detalhá-la, mas ousarei em descrevê-la.

Essa pessoa torna-se interessante quando apenas vive a vida com tudo que tem para ser vivida, livre como uma nuvem em um céu distante. Quando acorda tem uma singela felicidade, assim como ao dormir. Quando sente fome, come e faz disso um evento. Quando conversa é alegre e direta. Quando olha o sol, sabe que amanheceu e que a vida continua. Seu semblante é uma pintura neoclássica e sua voz é uma música impossível de não dançar. Dos pensamentos não preciso falar. Essa pessoa é perfeita em se mostrar, é feliz ao se abraçar, é poesia ao cativar.

Um rosto meigo, um sorriso faceiro, que nada precisa falar, pois já tem o amor em seu olhar.

Esse foi para você.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Tecidos bordados dos céus



Sempre questionei o modo como, despretensiosamente, outras pessoas buscam incessantemente fazer com que suas opiniões sejam as prevalentes. Isso independe do tema discutido, de política econômica ao futebol de várzea. As pessoas querem mostrar serviço, mesmo que não entendam o suficiente sobre algo. Não vejo problema em dizer que não sei ou que já ouvi falar. Faz parte do crescimento humano entender e, caso não consiga, buscar meios para fazê-lo.
Todos nós temos sonhos, vidas isoladas e em sociedade. Não cabe a mim ou a qualquer pessoa dizer o que é certo ou não, mas apenas definir o que é, naquele momento, adequado – desde que seja de conhecimento de todos ou provado. Penso que cada pessoa tem uma “base” para se apoiar, que origina suas ideias. Creio que nossas crenças não estão apenas na nossa mente, cabeça ou coração, mas acima de tudo em nossos pés! Sim, pois eles se movem e nos movem. Nossa base, força. Assim, não sobrepuje seus sonhos ou opiniões em detrimento dos outros, pois cada um tem algo que não pode ser movido por ponderações alheias: Sonhos!
Assim, pense duas vezes antes de “pisar” nos outros, pois, assim, estará pisando nos sonhos deles. Ou também não peça aquilo que o outro não possa lhe oferecer, pois, às vezes, o que é oferecido é pouco, mas para quem oferece, representa muito. Cabe aqui um poema de W. B. Yates:

“Fossem meus os tecidos bordados dos céus,
Ornamentados com luz dourada e prateada,
Os azuis e negros e pálidos tecidos
Da noite, da luz e da meia-luz,
Os estenderia sob os teus pés.
Mas eu, sendo pobre, tenho apenas os meus sonhos.
Eu estendi meus sonhos sob os teus pés
Caminha suavemente, pois caminhas sobre meus sonhos.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Um método perigoso



"Às vezes as pessoas têm que fazer algo imperdoável só para continuar vivendo".

As pessoas temem a mente perturbadora de algumas pessoas, ainda mais quando pagam para conhecê-la, destaco aqui a do cineasta David Cronenberg (Um método perigoso). Eu gosto; porque adoro sair tonto do cinema, ou no caso da minha casa mesmo. Ficar em silêncio horas, na tentativa de digerir vorazmente o que acabo de ver. Isso ocorreu ao assistir “Um Método Perigoso” (2011).  Frases como a supratranscrita acabam com meu sono, para variar. E ela começa e termina assim: “Meu amor por você foi a coisa mais importante na minha vida. Por bem ou por mal, me fez entender quem eu sou. Às vezes as pessoas têm que fazer algo imperdoável só para poder continuar vivendo.”. E mais: “O resto é silêncio”.

Não é fácil um pensamento desse te cutucando o juízo, com “aquela” sessão de que, no fundo, você já sabia... É uma verdade, daquelas que dói quando nos vemos diante desse espelho (outro método perigoso: o de saber se enxergar de dentro para fora e de fora pra dentro, feito reflexo.Tente.).

É um filme preciso, cirúrgico, metódico e sistemático, assim como David Cronenberg. E devastador!, com sua brilhante ideia de mostrar o encontro de Jung e Freud, às vésperas da primeira Guerra Mundial e pós-guerra (e, também, a “guerra” travada entre esses dois gênios). O encontro com Sigmund Freud (Viggo Mortensen) faz Jung ficar entalado entre a interpretação de certas neuroses pelo viés sexual (teoria da qual não discorda, mas acha limitante) e o amor, cada vez mais latente, por sua paciente. Jung experimenta métodos, ensinando a profissão a Sabina e quebrando as próprias regras. E aí vem, como quase tudo na vida, a culpa social, um dos motivos que faz com que qualquer pessoa embarque na loucura.

O cinema de Cronenberg é tão poderoso a ponto de nos presentear com diálogos inteligentes e imagens fantásticas: pontos altos do filme. “Anjos sempre falam em alemão, diz-se (uma das muitas frases sarcásticas). Assim como “O Prazer nunca é simples, complementa. A perspicácia das conversas torna o filme sóbrio, adulto e espetacular, mitigando tabus.

É um filme que merece ser visto e revisto. E é aí que eu entro e saio, pondo pulgas atrás da sua orelha, meu caro leitor, feito uma dica para um domingo tão monótono (isso para alguns,quando não tem praia ou um jogo do Mengão, rs) ... Desperte sua simples vontade de falar o óbvio e sentir o comum, pois isto está em falta atualmente.
Texto adaptado de uma coluna de jornal

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pé na lama e sapato na sombra


Hoje pela manhã, ao assistir um jornal, perdi o ânimo logo cedo. Uma das cidades que sofreram com as enchentes no Rio de Janeiro, ano passado, possui um ginásio escolar com 5 Toneladas de sapatos mais produtos de higiene “largados” que nunca foram entregues!

O Brasil todo doou para ajudar na reconstrução da vida daqueles que sofreram com aquela catástrofe, mas que nunca receberam nada. É indignante ver o repórter subir em uma pilha de sapatos doados que nunca foram entregues a quem realmente precisava (precisa). Sapatos novos ou usados, papéis higiênicos, pastas de dentes, sabonetes, roupas, tudo faz a diferença quando nada restou, não importa a origem.

Deve ser horrível acordar a noite com o som de toneladas de terras sobre sua casa, quebrando estruturas, matando amigos e parentes e ver, com as chuvas, tudo indo embora. Assim como a esperança. Penso que quem doou fica frustrado com as cenas, mas quem é cidadão e humano não irá se arrepender de ter “tentado” fazer algo para ajudar. E não deve se arrepender mesmo.

Aqui no Brasil, isso é mais um dos famigerados problemas de mais uma de nossas municipalidades que, nesse caso, mostra que além do problema da ausência do controle dos produtos, provou ter absoluta falta de humanidade.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Porque as pessoas que amamos nos decepcionam?


Certa vez, li uma frase de Millôr Fernandes, que dizia: Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem. É exatamente isso! Convivemos, cotidianamente, com pessoas que não conhecemos. Julgávamos conhecer, nutríamos admiração e, de repente, descobrimos que tudo não passou de um engano. Nessa hora, deixamos aflorar os sentimentos mais sombrios que existem.

Quanta decepção!Não consigo entender como algumas pessoas possuem certa facilidade em ferir, magoar, ofender, rotular as outras. E o que é pior: agem pelo "instinto" e não se arrependem de tamanha maldade. Não percebem que agindo assim, transformam completamente o dia daquela pessoa, causando-lhe profunda dor e sofrimento. Que bom seria se praticássemos mais a linguagem do afeto, do carinho, do amor, para que não surgissem discussões que só trazem infelicidade, raiva ou conflito para ambas as partes.Demorei uma vida inteira tentando aprender a "ler pessoas". Já me enganei, me decepcionei, inúmeras vezes...
Criei expectativas demais, esperei demais delas e, infinitas vezes, elas simplesmente não corresponderam. Hoje, sou do tipo de pessoa que tem pouquíssimos amigos, mas os poucos que tenho são fieis e verdadeiros. Daquele tipo de amigo que me defende com unhas e dentes porque me conhecem verdadeiramente. Aceitam e respeitam meus defeitos e destacam minhas qualidades. Porque defeitos todos nós temos e apontar defeitos é muito fácil, difícil mesmo é reconhecer as qualidades do outro. E, mesmo com todas as decepções ao longo do caminho, posso afirmar que não excluo ninguém da minha vida, apenas reorganizo as posições e inverto as prioridades.A gente aprende a amar, facilmente. Mas como deixar de amar, de gostar, de admirar? Deixar um sentimento verdadeiro para trás é tarefa árdua. A dor é inevitável. Mas essa ruptura, mais cedo ou mais tarde será necessária. Se você não se sente valorizado pelo outro, não vale a pena insistir na amizade, no relacionamento. É chegada a hora de se libertar.

Refiro-me a liberdade de sentimentos. É possível sim, conviver com esse “tipo de gente” sem ter que se igualar a eles. Um primeiro passo seria assumir uma postura do tipo "eu me junto, mas não me misturo", e ter o cuidado de usar as palavras a seu favor, não como pedras que machucam, mas como afagos, procurando “abraçar” as pessoas ao seu redor através de suas palavras. Palavras dos sentimentos.E para definir melhor esse meu momento “decepção”, nada melhor que deixar registrado aqui, as palavras dos sentimentos de uma grande mulher, que me acompanha há muito, muito, tempo.“Não sei amar pela metade… Não sei viver de mentiras e nem sei voar de pés no chão… Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre… Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou sempre seguir meu coração…

Não tentem me fazer ser quem não sou e não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente…”

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Arte de escrever nada


Nada e Tudo. É isso o que eu tenho a escrever. Temas diversos e variados, notícias, modismos e clichês. É sobre isso que sou cobrado quando me veem na rua e questionam sobre este blog? Não, ou pelo menos espero que não. Pouquíssimas pessoas me perguntam sobre este suposto diário eletrônico (odeio esta definição). A questão é o porquê das perguntas? (São ‘pouquíssimas’ pois são realmente poucas as pessoas que leem o meu blog). Bem, sei que não o fazem por “maldade” no sentido de ver minha reação ou, de certa forma, o constrangimento que me persegue desde sempre. Não! Essas pessoas perguntam: “Iaí, cadê o blog? Não escreveu mais?”, pois leem o mesmo, e por isso sou grato. Outras até erram o nome dele, por confusão com o jogo de palavras ou, no que eu prefiro acreditar, por escárnio mesmo. Não culpo, nem condeno. O mundo é o sistema, engloba a todos, e, assim, somos todos simplesmente “amansados” pelo cotidiano. Não temos tempo para nada de importante (ou pelo menos para aquilo que realmente importa), e temos tempo para tudo, talvez eu faça, talvez não, talvez eu escreva amanhã, talvez fique para a próxima.

Estou disposto a estar cansado e cansado de estar disposto. Não há regras com os pensamentos, por isso não escrevo sempre.

A instantaneidade não é programada, é rotinizada e vulgarizada, por isso não escrevo, meus amigos. Não por soberba, nem por preguiça, mas simplesmente porque tem sentido naquele momento.

E agora, treino a arte de escrever nada.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ciclos


A vida é feita de ciclos. Você nasce em um, vive outros e termina também em um. Algumas pessoas revivem apenas um ciclo, repetidamente. Estão presas. Neste ano de 2012 eu, assim como várias pessoas, estou mudando meu ciclo, vendo as coisas de maneira diferente, sentindo, observando, criando, tentando, ou seja, vivendo diferente. Não são as roupas, nem a aparência, mas a percepção, aquilo que nos diferencia dos demais. Aquilo que precisa de tempo e sutileza para ser percebido, notado.
Se a “virada” de ano representa deixar velhos hábitos, então que seja. A cada ano mudamos, a cada dia aprendemos, temos ótimos anos e difíceis também, onde temos que enfrentar a solidão, a indiferença de quem amamos, problemas de saúde ou profissionais, mas se estamos aqui, então temos que viver. Quem tem promessas não morre.
A única certeza é a mudança, assim, como afirma Fernando Pessoa, mudo não por orgulho, por soberba ou incapacidade, mas porque aquilo simplismente não se encaixa mais em mim. Para mim, uma dose de esperança e força deveria se fortalecer em cada pessoa, todos os dias, pois isso é que interessa, e é o que nos resta.
Feliz 2012! O mundo não acabará, apenas seu ciclo.
I dedicate to Kwesi, Dylan and Vicent.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não deveria...

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem outra vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha pra fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o Jornal no ônibus porque não pode perder o tempo de viagem. A comer sanduíches porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz aceita ler todo dia, de guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios, a ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar por ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável, à contaminação da água do mar, à lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galos na madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta do pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só o pé e sua o resto do corpo.. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto acostumar, se perde de si mesma.

sábado, 29 de outubro de 2011

Justiça cega, surda e muda


“Para a sociedade, bandido bom é bandido morto”. Essa é uma das frases que compõem o filme Tropa de Elite 2, de José Padilha. Traz à tona apenas aquilo que existe, e que bate à nossa porta, mas ninguém trata com sinceridade: A revolta civil perante a criminalidade, não apenas no RJ, mas, também, no Brasil como um todo.

Manchetes em jornais, TV, internet, o que vemos é uma carnificina ao vivo financiada pela alta cúpula da administração pública; justamente daqueles que deveriam zelar pela segurança, mas o fazem sempre em troca de algo, no caso, propina, aluguel, drogas, poder. Sai a figura do traficante e entra o lobo travestido de ovelha: a milícia. O Comando e controlador das comunidades, onde a “segurança pública” tem preço, mas não tem vez, nem voz!

No ano de 2010, as facções (termo semelhante ao usado com os diversos grupos de traficantes) dominaram 42% das favelas do RJ. O revoltante não é apenas a vassalagem nas favelas brasileiras, mas é saber que o financiamento de toda essa barbárie provém dos governantes, que, em troca de favores, tornam-se falsos heróis pois "libertam" a comunidade do tráfico (entre os pobres), mas perpetuam o crime entre as paredes dos salões nobres das assembléias legislativas, onde o povo apenas vê passivamente, mas, como na favela, não consegue gritar por socorro.

O “Sistema” existe sim! É forte e silencioso! Destrói famílias, favorece poucos em troca da vida de muitos e está incorporado a aquilo que somos como brasileiros, vítimas e bandidos ao mesmo tempo. Todos nós! Não há Direitos Humanos que resista ao sistema. Não há paz que se comprometa com o ego humano.

“O homem é mal por natureza” já dizia Maquiavel.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Nossa, há quanto tempo!


Faz tempo que não escrevo, pelo menos não oficialmente. Muitas vezes vejo-me permeado de situações simples, do dia-a-dia, que me fazem refletir algo, em sua maioria são pensamentos rápidos e supérfluos. Quando acontece, não escrevo, evito trascrever para um papel ou neste meio certas bobagens.

Destaco, também, que para a “criatividade chegar” preciso estar bem, não de saúde ou psicologicamente sadio, já que os maiores escritores da história escreveram seus devaneios primeiramente em lenços que escontraram embaixo da escrivaninha ou em guardanapos de bar. Digo, bem suficiente para escrever, criativo e disposto. A criatividade se apresenta, é um evento. Surge naqueles que a incentivam, que buscam algo maior, religiosa ou filosoficamente, que estão insatisfeitos ou incomodados com tudo e todos, ou pelo menos como tudo se apresenta. Esse é o fundamento do pensamento e, consequentemente, da escrita para mim.

Criar histórias ou lendas? Noticiar um evento? Preservar uma cultura? Não tão simples assim. Tudo, digo TUDO, meus caros, passa pelo crivo da sociedade dominadora, ou, menos ofensivamente, daqueles que possuem os “meios” de comunicação. Não muda muita coisa. Dizem o que querem e quando querem. Cabe a você filtrar o que ver.

Por isso escrevo “o não comum”, por isso me interesso por poemas esquecidos, por isso não leio livros da moda ou gosto de bandas que vão ao Faustão, por isso não gosto de usar branco no ano-novo...não, eu prefiro ouvir o antigo, ler aquilo que está no Sebo e comprar filmes da década passada que têm realmente algo a acrescentar, prefiro dizer o que sinto quando sinto, e se não sinto, nada digo.

Não escrevo para as mídias, mas estou, inevitavelmente, nelas. Escrevo para ser como os borrões que encontrei em uma gaveta, com traças e rasgados, mas que me mostraram como era minha gramática, minha letra, meus pensamentos naquela época, ou seja, mostraram quem eu era. Espero ver este blog assim também em um futuro e poder dizer: Nossa, há quanto tempo!

E simplesmente sentir.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A estrada


Olhar para o passado é, particularmente, nostálgico. Quando criança, fazia o percurso Belém-São Luís pelas nossas inseguras e excitantes rodovias. Na rodoviária, antes de entrar no ônibus, meus olhos já estavam no corredor, mechiam rápido como se buscassem um brinquedo perdido, e buscavam: uma poltrona na janela. Sentar-se à janela era a cereja bolo. Sentava-me, acendia a pequena e charmosa lâmpada acima do banco e esticava a cortina vinho que cobria a janela, e, de lá, observava o mundo, meu mundo.

Ao sair, geralmente à noite, despedia-me de cada curva como se fosse um parente distante que há muito não via. A leve e fria brisa no rosto, o cheiro do mato inexplorado confundia-se com as linhas mal conservadas da estrada e a escuridão entre as árvores. Não me preocupava com as condições das pistas ou com os assaltos à luz da lua, apenas fixava meu olhar no horizonte como se algo fosse sair daquele breu. A expectativa é orgulhosa, não dá espaço. Os arbustos se misturavam, eram cúmplices das elucubrações de uma criança. Aguardava o ano todo para isso. E, no fim do ano, não queria um carrinho, ou uma bola, mas, sim, uma viagem.

A estrada não é ciumenta, nem rancorosa, não pergunta seu CPF ou se possui dívidas. Ela quer apenas que você a visite de vez em quando, com todos seus sonhos.

Hodiernamente, nas ruas e rodovias, ainda gosto de observar as árvores sob o som do silêncio da madrugada. O mistério da escuridão das estradas é um tranquilizante, meu ansiolítico.

Lembranças de uma infância. Parte de mim.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

...a perfeição existia


“O Sentimento não encontra palavra que o descreva, ela disse, e então calou-se. Ela era assim mesmo, estranha e misteriosa. Falava por monossílabos e era inútil tentar tirar-lhe algo mais. Suas palavras tinham um tempo próprio, alheias às exigências do momento. Só falava quando encontrava a justa forma pra dizer o que sentia.

E, naquela longínqua noite de inverno, a frase viera a propósito da música que estivéramos a ouvir, o quarteto Opus 132, de Beethoven.

Estávamos deitados sobre dois almofadões no chão, encolhidos e de mãos dadas sob os cobertores, quando ela falou.

A perfeição existia.

Olhei para ela. Seu olhar atravessava minhas paredes e muros, e me peguei fazendo confidências, criando raízes. Ela era a minha terra, a planície onde eu pousava após meus voos turbulentos.

Mas a perfeição existe só de passagem, nunca para ficar, e então me veio um medo, um quase desejo de não ser feliz para não perder a felicidade depois (o Sentimento não encontra palavra que o descreva). E então cortei, brusco, o fluir das palavras. Mas ela não pareceu surpresa. Conhecia a vida e os viventes. Só não conhecia a palavra que descrevesse o sentimento. Como eu.

Mas por todo aquele inverno seguimos na busca, juntos, e uma noite fizemos amor ao som de Beethoven. Depois daquela noite decidimos dar por encerrada a busca. Agora, mais que nunca, aquele Sentimento não encontraria uma palavra que o descrevesse. E então nos separamos. Nunca mais a vi. Depois dela, os sentimentos têm sido descritos com palavras tristes, melancólicas.

Os caminhos agora são outros e ao meu lado dorme uma outra mulher, que não me olha por dentro e que não sabe que Beethoven existe. Mas ainda moro na mesma casa, e os almofadões ainda são os mesmos. “E nas noites de inverno ainda ponho a tocar o quarteto Opus 132, que me desperta um Sentimento antigo, ainda não descrito, que me consola.”

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Encontros e Desencontros


Pela manhã, sentado e tomando café em uma lanchonete, observei uma dupla de amigas. Conversavam sobre o relacionamento de uma delas e o quanto “sofriam por amor”. As pessoas, definitivamente, sofrem por vários motivos; alguns mais simples, outros mais intrigantes. Encaixo-me nesse segundo.

Vivenciando o que noite proporciona, percebi o quanto posso ser comum e instigante ao mesmo tempo, o que é pior. Passei a me comportar de maneiras diferentes para ver situações também diferentes. Consegui. Vi absurdos e participei de ironias. Fui casual e espontâneo em uma mesma semana. Enfim, fiz. Porém, nada sacia meu Ego. Ninguém entende meus valores...

Bem, retornando para a conversa das amigas, percebi que cada um enfrenta aquilo quer. Vê – e sente – o que deseja. Tem a necessidade de passar pelo pântano e comer a lama para ver se está vivo. Estranho, mas totalmente humano.

Relacionamentos? Não questione, não entenda, não queira ver, pois, cuidado! O que você pede, você pode conseguir. Não lute contra você mesmo. A alma guarda o que a mente tem que esquecer. E no fundo, sabemos onde isso vai acabar: em uma mesa de bar, ou de uma lanchonete.

Portanto, não sou indiferente, nem cruel. Somente aprendi a não me incomodar com clichês e tapinhas nas costas. Nós vamos até onde queremos ir. E que por mais rude que possa ser, a pessoa facilitará as coisas se perceber que, apesar de seus méritos e esforços, só pode oferecer aquilo que estou disposto a encontrar.

domingo, 19 de junho de 2011

O que vai fazer?


Noite encantadora e triste, sábado. Acabo de assistir a um dos meus filmes prediletos, Colateral. Trata de como ‘encaramos’ a vida, uns planejam e se frustram, outros são práticos e imediatistas. Mostra a fugacidade da vida, como nos perdemos em meio a 6 bilhões de pessoas, com nossos sonhos, planos e lembranças. Os sonhos não bastam, não são eternos, mas, quando percebermos isso, estaremos velhos e alienados, sendo expectadores de nossos próprios devaneios.

O filme trata do despertar, do acordar para a realidade; uma forma trágica de ver a matrix claustrofóbica que criamos. O Morpheus é o Vicent.

Acordamos e entramos na rotina: banhamos, comemos, fazemos planos, trabalhamos e em meio a tudo isso, fugimos. Fugimos para um lugar onde queríamos estar, para onde a mente teima em ficar. A mente veste pijama listrado. Ela vai além do que o corpo faz. É o despertar da alma, mostra que estamos vivos, que temos algo a fazer, que devemos levantar do comodismo.

O momento mais lúcido é quando sonhamos.

Não é fácil, porém, quando enfrentamos nossos valores petrificados, quando discutimos com os esteriótipos e ‘quebramos’ o consciente, mostramos realmente quem somos e o que podemos fazer. Destacamo-nos.

Penso assim.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Indignação


Venho ressaltar minha modesta indignação diante de uma entre as várias notícias oportunas que lemos diariamente. Pouco antes deste lampejo literário li sobre mais um caso “suspeito” de enriquecimento ilícito na política. Descupem-me os partidários de idéias contrárias ou os defensores de investigações ineficientes, mas não há como perdoar o “ofensor gratuito”, não há como perdoar os que roubam do povo, de nossos entes queridos, de nosso suor. Não se podem perdoar os que deviam desenvolver e proteger a sociedade civil, mas nada fazem.

Sair de nossos resintos tornou-se um sacrifíco: buracos nas ruas, trânsito caótico, servidores públicos reivindicando supostas melhorias, insegurança, saúde pública aos frangalhos, desvios de dinheiro público, sem as devidas punições; enfim, má administração pública, que, infelizmente, desenvolve um comodismo social.

A memória política do brasileiro é fraca, principalmente quando relacionada à administração do dinheiro público e as nefastas e inescrupulosas artimanhas dessa corja no poder. Quisera eu poder dizer: 'O que passou, passou. Esqueci. A vida continua' – ela continua sim, porém fragilizada, aviltada.

A ação governamental não pode ser vista como uma benesse, gentileza, um favor; de modo algum. A Constituição legitima o Poder que provém do povo, mas, infelizmente, comprova-se mais uma vez que isto só esta no papel.

Enquanto isso, nós, cidadãos de bem, continuamos a sonhar em viver, um dia, no paraíso. Onde nossa realidade nunca estará aquém de nossos mais sublimes devaneios de verão.

sábado, 16 de abril de 2011

Tentativas


Rotinas, hábitos, carater, quem diz isso? Quem pode afirmar algo? Quem pode tentar ajudar?

Tentamos, equivocadamente, mudar a vida do próximo, elucidar fatos e aconselhar, ou melhor, impor nossa vontade aos outros. São apenas tentativas. Nada; apenas flutuações de nossa mente egoísta e orgulhosa. Tornamo-nos fúteis quando tentamos controlar algo que independe de nossa vontade, força, atenção ou dedicação. O próximo espera que possamos entendê-lo, aconselhá-lo, e, às vezes, até vivenciar aquilo que se espera. Como já disse – apenas tentativas. Não fazemos por mal, mas por querer o bem do amigo, do parente, de quem precise. Todavia, poderíamos ajudar caso estivéssemos bem conosco, com o ego alto. No entanto, não é o que ocorre na maioria das vezes. Buscamos no outro uma saída de nossas mazelas, infortúnios. Mas, esta etapa da vida, como na maioria das vezes, depende unicamente de nós mesmos, tão somente.

Futuro incerto? Receio do mundo? Escuridão após o seu quarto onde é seguro? Temos que enfrentar, encarar, bater; mas, e se não formos agresivos, ou apenas indolentes?

Estas perguntas serão respondidas, não com palavras, mas com atitudes. A vida irá lhe mostrar.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Tudo passa, tudo passará


Interessante na vida como circunstâncias nos fazem mudar certas concepções. No meu caso, foi quando me internei no hospital(público). Assim como tanto outros , eu era um paciente, apesar de eu ter em minha mente que era apenas mais um, depois percebi que não pensara equivocadamente. Lá não possuia nome, apenas número, mais precisamente eu era o “M-19”, ou seja, maca 19. Permanecer uns dias em um corredor permitiu-me refletir – isso quando não ouvia gritos ou o som das macas passando ao meu lado – sobre ‘aquela vida’. Presenciei não apenas o descaso com o nosso sistema de saúde, mas o processo de desumanização presente naquelas paredes. O espaço em um leito é concorrido, portanto, as açoes de ajuda são apenas paleativas, ou de apenas subsitencia (“um trato rápido”).

As placas de silencio nas paredes são uma ironia perto daqueles barulhos. Soros e medicações? Perdi a conta. É estranho andar com algo (soro) em sua veia, lembra as correntes, neste caso, aversamente ao sentido metafórico, já que aquilo era minha fonte de nutrição.

Apesar disso tudo, presenciar a calamidade pública foi renovador. Conheci trabalhadores, batalhadores, sonhadores, Brasileiros! Pessoas que se sacrificam ao dormir ao lado de seus parentes em cadeiras de ferro sem conforto algum. O que vi não esta nos emails bobos que recebemos sobre conscientização, não! O que vi foi a realidade. Isso modifica o que pensamos.

Sem saúde não somos nada e lutar por ela, ajudando o próximo é o que, definitivamente, diferencia-nos e aproxima-nos de nossos irmãos, dignifica a alma.

Preserve sua saúde.

(apesar da triste situação, este espaço é para agradecer e destacar o trabalho dos profissionais de saúde que ali estão, com certeza bem qualificados.)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Quando a chuva passar


Hoje, peguei-me observando a chuva; gotas escorrendo nos vidros dos carros, enxurrada nas valas, arrastando tudo. Sempre gostei da chuva, ainda mais do clima que a precede: frio, certa neblina e o céu cinzento. Apesar de comum, é um fenômeno natural que interessa as pessoas. Tão valorizado nas poesias e canções sobre linções de vida.

Gosto de admirar, refletir enquanto chove, águas passando, como tudo na vida, uma metáfora das circunstancias. Deixa a alma mais leve, retira as impurezas, vejo crianças (e adultos também) banhando nas ruas, calçadas, como se aquilo fosse um ultimo ato, a redenção. Pressumindo-se uma liberdade fugaz.

Ao fim vem a calmaria, os vidros secam, os “rios” nas valas tornam-se poças e quem admira continua a viver com esperanças do retorno deste dia cinzento. Penso assim. Nostálgico, pode ser. Ruim, não!

Como diz a canção: “...É preciso amor para poder pulsar, é preciso a paz para sorrir, é preciso a chuva para florir”.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Superação


“Você não pode evitar que os passaros voem sobre sua cabeça, mas pode impedi-los de criar ninhos em seus cabelos”

O problema da expectativa não esta em olhar para o futuro, mas sim, em querer dominar ou entender algo que esta além do que se pode controlar, e qualquer esforço em querer mudar o fator surpresa será inutil. A maioria das nossas açoes começam erradas. Começamos tentando que os passaros não sobrevoem nossas cabeças, nos cançamos e desistimos não do modo como agimos, mas sim da ação... ai eles pousarao e farão ninhos. Se não conseguimos evitar que eles façam ninhos, temos que, no minimo, retirá-los. Mas, acima disso, temos que compreender que “quando se retira o ninho ainda se sente o cheiro”.

Superar é mais que transpor; é mais que vencer após a luta. Superar é ser suficientemente forte para vencer o motivo para que haja a luta.

Portanto, é preciso ter muita força de vontade, carater e paciencia para se desvincilhar do antigo, do passado e do errado. Cabe apenas virar a página pois este foi apenas um capitulo.

“Às vezes as pessoas merecem mais que a verdade, merecem ter sua fé recompensada”